sexta-feira, 31 de maio de 2013

RÉPTIL - Características gerais. - Distribuição e ecologia - Classificação - Biologia, ZOOLOGIA, Trabalho Escolar.


RÉPTIL

Os primeiros vertebrados a se adaptarem plenamente à terra firme foram os répteis, que surgiram no final da era paleozóica, há cerca de 300 milhões de anos. Diversificando-se e difundindo-se ao longo da era seguinte, os répteis apresentaram formas gigantescas como os dinossauros, senhores absolutos da Terra até o fim da era mesozóica. Na atualidade, sua importância dentro da escala zoológica diminuiu em relação a aves e mamíferos, apesar das várias espécies existentes e de sua ampla distribuição.
Réptil é o animal vertebrado dotado de quatro patas que se locomove por reptação, ou rastejamento. Na escala zoológica, a classe dos répteis situa-se  entre os anfíbios e as aves. A falta de patas em algumas espécies, como as cobras, corresponde a uma perda secundária de natureza adaptativa. O embrião do réptil é protegido por um envoltório membranoso, o âmnio, no interior do qual se encontra o líquido amniótico, que o protege da desidratação e de choques. Em função dessa característica, comum a aves e mamíferos, essas três classes são chamadas amniotas.


Características gerais. Como os peixes e os anfíbios, os répteis são animais poiquilotermos, ou seja, sua temperatura corpórea varia de acordo com a do ambiente, pela inexistência, em seu organismo, de mecanismos de regulação. Em função disso, esses animais não podem habitar latitudes e altitudes com clima demasiado frio e sua distribuição pelo planeta é limitada. As espécies que vivem em regiões nas quais a temperatura desce a índices muito baixos hibernam até que as condições ambientais voltem a ser favoráveis.
A pele dos répteis apresenta uma camada externa cornificada, grossa, com escamas imbricadas que protegem o animal das agressões mecânicas exteriores e também da desidratação. Na maior parte das espécies, essas escamas são de natureza epidérmica, como ocorre nos sáurios, crocodilos e serpentes. As tartarugas também apresentam formações escamosas derivadas da epiderme, mas o casco é composto de escamas dérmicas, autênticas placas ósseas associadas ao esqueleto. A pele de ofídios e sáurios passa regularmente por períodos de muda, nos quais a camada velha se desprende e é substituída por um tecido jovem, que sofre um processo de endurecimento progressivo ao entrar em contato com o ar.
Os répteis apresentam formações córneas com função defensiva, ofensiva ou alimentar, como as garras dos lagartos, crocodilos e quelônios. Estruturas como os chifres e cristas de alguns sáurios -- entre os quais muitas espécies de lagartos australianos -- ou o órgão que forma o chamado "guizo" das cascavéis são modificações das escamas epidérmicas. Em geral, o tegumento dos répteis contém poucas glândulas, ao contrário do que ocorre com outros vertebrados, como os anfíbios. Quando estão presentes, as glândulas secretam substâncias que, ao serem percebidas por outros animais da mesma espécie, desempenham o papel de demarcação de território. É o caso das secreções glandulares femorais do lagarto e das secreções emitidas pelas cloacas das serpentes.
A ossificação do esqueleto dos répteis é completa, com exceção do esterno, que, quando existe, é formado por cartilagem. A configuração do crânio varia entre as diferentes famílias. Enquanto o crânio das tartarugas não apresenta fossas temporais, cavidades que permitem a inserção dos músculos mastigadores, o dos crocodilos possui duas. A partir dos crocodilos, observa-se uma evolução craniana no sentido do desaparecimento progressivo das fossas: nos lagartos não existe fossa temporal inferior e nas serpentes perderam-se as duas. A estrutura peculiar do crânio das cobras é responsável pela grande capacidade de abertura bucal desses animais, bastante útil para caçar e engolir presas muito maiores que eles. Essa habilidade é complementada pela capacidade que as serpentes também apresentam de dilatarem sua cavidade corporal graças à flexibilidade das costelas, integradas por segmentos articulados entre si.
Nos répteis, a cavidade bucal é independente da nasal. De grande importância adaptativa, essa diferenciação permite que as fossas nasais se estruturem e desenvolvam de forma mais perfeita. O número de vértebras é muito elevado em algumas espécies -- nas serpentes, por exemplo, pode ultrapassar 300, como ocorre com as pítons. Os dentes são implantados em alvéolos ou estão ligados diretamente ao osso. Sua função básica é a de reter a presa enquanto o animal a devora. As tartarugas não têm dentes. A língua dos lagartos e serpentes é bastante desenvolvida. No camaleão, ela é muito comprida e enrola-se em espiral numa cavidade, de onde é projetada para o exterior para capturar os insetos de que esse animal se alimenta. Também é característica a língua bífida das serpentes. Ao retrair-se, a língua fica localizada perto de um órgão olfativo especial, chamado órgão de Jacobson, com o qual o ofídio detecta diferentes substâncias químicas de natureza orgânica liberadas pelas possíveis presas.
Os répteis são animais predadores. Alguns deles, como é o caso das serpentes, desenvolveram glândulas capazes de produzir eficazes compostos tóxicos. Nem todas as cobras, no entanto, são venenosas: a aquisição dessa capacidade se detecta em espécies de menor porte, incapazes de apresar a vítima por meios puramente mecânicos. As grandes espécies, como as sucuris, pítons ou jibóias, matam suas presas por esmagamento, enquanto as serpentes menores, como as cascavéis e corais, compensam o menor tamanho com a rápida ação de seus venenos, inoculados por meio de caninos especiais. Em muitos casos, esses caninos apresentam um canal central que os liga diretamente à glândula produtora de veneno.
A respiração, muito mais eficiente que a dos anfíbios, é efetuada por pulmões. Os répteis possuem costelas e músculos intercostais que permitem o aumento da cavidade torácica e a entrada de um volume maior de ar. Algumas espécies, como é o caso das serpentes, apresentam pulmões muito pouco desenvolvidos ou totalmente atrofiados, enquanto outras, como os crocodilos, dispõem de órgãos pulmonares complexos, semelhantes aos dos mamíferos.
Em geral, os sentidos dos répteis não se destacam por sua agudeza, com exceção do órgão de Jacobson, de função olfativa, especialmente desenvolvido nos ofídios, e os receptores de calor das cascavéis, com os quais elas localizam suas presas. Os répteis apresentam um olho pineal ou "terceiro olho", que aparece no embrião antes dos olhos normais e chega a seu pleno desenvolvimento apenas no tuatara da Nova Zelândia, espécie de características arcaicas que constitui uma ordem à parte dentro da classe dos répteis. Esse olho, situado sob a pele do crânio, comunica-se com o exterior por um orifício e é sensível à luz.
Os sexos estão separados e a fecundação é interna. Os répteis reproduzem-se por meio de ovos, que em alguns ofídios se abrem ainda no corpo da mãe (oviviparidade). Os machos possuem pênis ou órgão copulador, que apenas não está presente no tuatara primitivo. Nos lagartos e serpentes, o pênis é duplo. Nas tartarugas e nos crocodilos, existe um tecido erétil que forma os corpos cavernosos, que dotam o órgão copulador da capacidade para manter-se ereto durante a cópula.


Distribuição e ecologia. Os répteis colonizaram tanto o meio aquático, marinho ou de água doce (tartarugas, serpentes marinhas, cobras d"água e crocodilos), quanto a terra firme. Selvas, bosques, pradarias, planícies, estepes ou até desertos são alguns dos habitats conquistados pelos répteis. Em sua maioria, esses habitats são diurnos e algumas espécies, como é o caso de certos sáurios, apresentam comportamento ritual e particularmente agressivo ao chegar a época da reprodução. Muitos se destacam por sua particular resistência à escassez de comida e às condições climáticas desfavoráveis: algumas tartarugas sobreviveram vários anos em cativeiro sem se alimentar.


Classificação. Distinguem-se os répteis em quatro ordens: os rincocéfalos ou tuataras, com um único representante, o tuatara (Sphenodon punctatus) da Nova Zelândia; os quelônios ou tartarugas, também conhecidos como testudíneos, por possuírem uma carapaça em forma de escudo; os escamados, que agrupam os lagartos ou sáurios e as serpentes ou ofídios; e os crocodilianos. As tartarugas se caracterizam pela falta de dentes e por possuírem, no lugar, uma lâmina de natureza córnea que serve para esmagar o alimento. O corpo é protegido por uma concha grossa e dura, formada por duas peças principais: a parte ventral da couraça, o plastrão, e a superior, ou carapaça. Ambas são integradas por uma série de placas ósseas revestidas externamente por escudetes dérmicos. Destacam-se, no Brasil, a presença da tartaruga-da-amazônia, jurará-açu ou arrau (Emys amazonica), cujo macho é o capitari; o jabuti (Testudo tubulata), cuja fêmea é a jabota; o tracajá (Podocnemis unifilis); o matamatá (Chelys fimbriata); e o muçuã (Cinosternon scorpioides).
Os sáurios agrupam um conjunto de répteis cujo aspecto geral é semelhante ao dos lagartos. Entre os mais conhecidos no Brasil estão a cobra-de-duas-cabeças (Amphisbaena alba), ibijara ou, na Amazônia, mãe-de-saúva; a lagartixa (Hemidactilus mabouya); a cobra-de-vidro (Ophiodes striatus); e diversas espécies de lagartos, desde o anão da Amazônia e as taraguiras (Tropidurus torquatus) até o teiú (Tupinambis teguixin) e o sinimbu ou papa-vento, também chamado impropriamente de camaleão, pois os verdadeiros camaleões pertencem à família dos camaleontídeos, não existente no país.
São encontradas na fauna brasileira cobras venenosas, como a cascavel, a surucucu (do gênero Lachesis), a jararaca (Bothrops) e a coral (Micrurus); e não venenosas, como a sucuri (Eunectes murinus), a jibóia (Constrictor constrictor), a caninana (Spilotes pullatus), a cobra-cipó (Herpetodrias sexacarinatus) e a muçurana (Pseudoboa claelia), que devora serpentes peçonhentas. A píton real, que vive na Malásia, talvez seja uma das maiores espécies de cobra do mundo: cresce até 9,8m de comprimento.
Os crocodilianos são, em muitos aspectos, os répteis mais evoluídos, tanto por suas características anatômicas e fisiológicas como por seu comportamento em relação aos filhotes, com os quais estabelecem uma autêntica relação de tutela e proteção. Possuem um músculo que separa as cavidades torácica e abdominal e desempenha uma função análoga ao diafragma dos mamíferos. O coração aparece já dividido em quatro cavidades, duas aurículas e dois ventrículos, traços que contrastam com a aparência primitiva que esses animais exibem. Entre as diversas espécies que integram a ordem dos crocodilianos, estão o jacaré comum, jacaré-açu (Melanosuchus niger), jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris), jacaretinga (Caiman crocodilus) e jacaré-coroa (Caiman trigonatus).

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